Coagulate – “The Art of Cryptosis” (2020)

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Coagulate – “The Art of Cryptosis” (2020)
Black Hole Productions
#DeathMetalOldSchool

Para fãs de: IncantationUndergangHyperdontiaTomb Mold

Nota: 10

Um dos meus passatempos prediletos é a busca por novas e desconhecidas bandas, principalmente dos subgêneros mais ignóbeis e abissais, e no denominado ”Death Metal Old School” as opções são infinitas.

O quarteto americano Coagulate, com apenas uma única demo no portfólio, já me cativou logo de imediato, pois é adepto da forma mais suja, pesada e pestilenta de fazer e conduzir o Death Metal, prezando por harmonias densas, arrastadas e mórbidas, ornamentadas por um vocal que mais parece o satanás agonizando de coronavírus em algum hospital de campanha nos recônditos mais obscuros do inferno.

Já deu pra perceber a “vibe”, né? Pois bem, e para meu bel deleite e prazer, a nossa amiga de longa data Black Hole Productions em uma corajosa iniciativa, lançou “The Art of Cryptosis” em cd, mantendo a imundície característica do material original, preservando a música absurdamente fétida, rude e impactante, resultando em um prato cheio de vísceras fumegantes para os mais afoitos fãs do subgênero mais maldito existente.

Contendo quatro faixas em pouco mais de vinte minutos, a banda entrega um trabalho primoroso, mas advirto: se o nobre leitor é fã da vertente mais virtuosa e límpida do estilo, sugiro sair desta resenha enquanto é tempo, pois aqui temos o gênero sob a ótica mais crua e primitiva possível, não sendo, por isso, indicado a amadores ou pessoas facilmente impactáveis.

“Fascist Dissection”, só pelo título, já enche o coração de alegria e revela a faceta mais Gore da banda, numa letra que descreve o lado mais monstruoso do ser humano, ainda que o dissecado seja um fascista. Peso e brutalidade na mais perfeita concepção do termo.

O vocal de Andrew M.V. é algo assustador, como se fosse captado propositalmente para parecer o mais sórdido e asqueroso possível, casando perfeitamente com a proposta sonora da banda. “18th Parallel Succubus Masquerading Transcendence to Divinity (Liar upon the Cross)”, apesar do título quilométrico, é bem direta e objetiva na forma de um Death Metal cadenciado e eficaz.

O Doom Metal mais sepulcral vem à cavalo em “Beneath Cruciform Hills”, onde a morbidez característica do estilo perfaz a alquimia perfeita com a abordagem principal da banda. Nada (ou quase nada) pode ser mais vil e pesado que isso.

O disquinho encerra com “Protoplasmic Ensnarement (The Draining of Your Flesh), pondo um fim mais que digno a um álbum de uma banda que se configura como uma das maiores revelações dos últimos tempos na música extrema mais obscura. Que “The Art of Cryptosis” seja apenas o início de uma longeva e frutífera carreira nos meandros mais hostis do Death Metal mundial. Se depender só da minha torcida, isso já é uma realidade!

Ricardo L. Costa (Colaborador)

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