Darkthrone – “A Blaze In The Northern Sky” (1992)

Darkthrone
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Darkthrone“A Blaze In The Northern Sky” (1992)
Peaceville Records
#BlackMetal

Para fãs de: Mayhem, Emperor, Immortal

Nota: 10

Através dos anos de existência do Heavy Metal, muitas bandas surgiram e ajudaram a definir o som de cada gênero. Na parte mais sombria e gélida do Black Metal temos diversos álbuns que marcaram a cena e apresentaram o lado sombrio do metal. Podemos citar alguns discos do Bathory, junto com trabalhos do Burzum, Mayhem e outros integrantes do “Inner Circle”. Porém esse texto busca destacar um álbum que conseguiu capturar toda a atmosfera das florestas norueguesas: “A Blaze In The Northern Sky”.

Lançado em fevereiro de 1992, “A Blaze in the Northern Sky” surgiu em meio à segunda onda do Black Metal, que incluía outras lendárias bandas norueguesas como Emperor, Immortal e Satyricon, e é amplamente reconhecido como um clássico do gênero. Sua influência se estende ao ponto em que muitas bandas de Black Metal parecem modelar toda a sua carreira no disco, junto com “Under a Funeral Moon” e “Transilvanian Hunger”. Vários aspectos familiares do Black Metal são aperfeiçoados aqui, a velocidade vertiginosa, os sons galopantes e, claro, os cantos angustiados e lentos (sem mencionar todos os cânticos estranhos de Fenriz ao fundo).

Após alguns minutos de audição já conseguimos perceber porque o álbum é tão citado como um clássico já que o Darkthrone fez algo que muitas bandas na época não conseguiram reproduzir: o mais puro mal. As guitarras no estilo motosserra podem causar certo estranhamento nos dias de hoje, para os que escutam o álbum pela primeira vez, então imagine como foi o choque das pessoas e da Peaceville Records na época. A banda havia lançado “Soulside Journey” com uma pegada mais Death Metal pela gravadora, e quando chegaram com um álbum totalmente diferente (mesmo contando com vários riffs de Death, mas tocados com a pegada Black) e com um som mais abrasivo do que qualquer outro, o selo não gostou e inicialmente se recusou a lançá-lo. Porém após uma “ameaça” da banda, falando que lançariam o álbum pelo selo do saudoso Euronymous, o Deathlike Silence, a Peaceville aceitou o trabalho entregue.

Falando sobre as músicas, o álbum começa com um épico de mais de 10 minutos, “Kathaarian Life Code”. A faixa tem no início um cântico feito por Fenriz e logo após transforma tudo em uma avalanche comandada pela bateria de Fenriz e pelas guitarras cortantes de Nocturno Culto e Zephyrous. Em um determinado momento ela alterna entre uma pegada mais cadenciada e mais rápida até o final. “In The Shadow of The Horns” é mais um clássico, figurando entre os maiores dentro do gênero. Ela começa cadenciada, destacando os vocais de Nocturno e o baixo de Dag Nilsen (sendo esse disco o último a contar com sua presença), e logo assume uma forma mais rápida e com a bateria em ritmos insanos e com muito blast beats. Essa é a faixa favorita desse que vos escreve.

“Paragon Belial” é o tipo de música que leva você diretamente para as montanhas geladas e sombrias da Noruega. Ela tem um riff de guitarra que se estende por quase toda a faixa, com os vocais sendo vomitados com uma grande potência, o que a deixa ameaçadora mesmo para os ouvintes mais acostumados com o som. “Where Cold Wind Blows” é uma demonstração do que a segunda onda do Black Metal iria apresentar ao público nos anos seguintes. A faixa tem todos os elementos que se espera assim como um toque ouvido no EP “Deathcrush” do Mayhem. Seja coincidência ou não, “A Blaze…” foi gravado no Creative Studio, mesmo local que o Mayhem utilizou para gravar seu EP e também é dedicado ao rei do Black/Death Metal underground: Euronymous.

A faixa-título é outra avalanche sonora, que alterna entre a velocidade e as partes mais lentas, acompanhada dos vocais guturais e roucos de Nocturno. Mais uma vez destaco a bateria que dita o ritmo de tudo, mostrando um trabalho excelente de Fenriz em construir um som com diversas alternâncias, mas mesmo assim preciso e único. O álbum fecha com “The Pagan Winter” que tem uma letra onde a banda expressa todo o ódio presente no Black Metal, assim como parece ser uma junção de todas as músicas do disco em um único e extremo petardo. Além de contar com um solo que encaixa perfeitamente com o restante da música, ela encerra com a mesma frase dita no início de tudo: “We are a blaze in the northern sky”.

“A Blaze In The Northern Sky” marcou uma evolução no metal que poucos conseguiriam (para mim apenas o lançamento de “De Mysteriis Dom Sathanas” causaria tanto impacto na cena) e mostrou uma banda certa de sua mudança. Ele tem a produção lo-fi, mas sem soar exagerada como em “Transilvanian Hunger”, e também tem um corpo mais robusto e sólido do que o som perfurante de “Under a Funeral Moon”. Aqui a banda ditou muitas regras que seriam usadas nos próximos discos do metal negro, como a produção da capa, por exemplo, com a foto em preto e branco de Zephyrous e no final poucos registros combinam com a excelência sinistra de “A Blaze In the Northern Sky”, tornando-o uma peça absolutamente essencial para o Black Metal.

O álbum recebeu uma edição especial em comemoração aos 30 anos, contando com uma capa feita à mão, cortesia de Bartek Rogalewicz no Lodge, Black Temple, com capa dura em papel cru preto feito à mão e papel proveniente de um livro antigo do ano de 1666 e com tinta em pó prateada feita de chifres de cabra. Esta edição foi limitada a 666 cópias numeradas e todas assinadas à mão por Fenriz e Nocturno Culto.

Lucas David

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