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Dismember – “The Complete Demos (1988-1990)” (2005) (Relançamento 2023)

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Dismember – “The Complete Demos (1988-1990)” (2005) (Relançamento 2023)

Regain Records | Shinigami Records
#DeathMetal

Para fãs de: Entombed, Carnage, Grave, Unleashed, Bloodbath, Hypocrisy, Autopsy

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,0

A Shinigami Records não mediu esforços e colocou no mercado brasileiro em formato CD toda a discografia do Dismember, uma das bandas mais importantes do Death Metal sueco no final dos anos 80 e década de 90.

“The Complete Demos (1988-1990)” pode ser considerado como uma verdadeira preciosidade do underground por trazer de forma completa as três primeiras demos dos suecos cuidadosamente restauradas e remasterizadas por Patrick W. Engel à saber: “Dismembered” (1988), “Last Blasphemies” (1989) e “Reborn In Blasphemy” (1990).

A meticulosa restauração de Engel resgata a autenticidade e a intensidade presentes nas demos originais, permitindo que cada nuance e elemento crucial do som extremamente pesado e sujo do Dismember brilhe com uma nova vitalidade. Assim, esta compilação vai além de ser uma simples reunião das demos jurássicas e icônicas, ela mostra o embrião de um provável gigante do metal extremo que merecia um lugar muito maior de destaque se não tivesse encerrado sua carreira em 2011. Aparentemente, acredito que voltaram às atividades em 2019, mas nada de muito ativo foi feito até agora. Vamos ver no que vai dar.

Nessas três demos, além de uma “produção” crua e áspera – se é que dá para falar que existe produção já que claramente existe diferenças gritantes nos volumes dos instrumentos – é nítido que além de ser um som pesado e violento, muitas vezes soando amador, o Dismember bebia muito na fonte de bandas como Celtic Frost, Venom, Bathory, Possessed, Death, Autopsy, Morbid Angel, etc.

O interessante é termos os vocais originais e gritados do primeiro vocalista da banda, Robert Sennebäck, nas duas primeiras demos (1988 e 1989) e comparar com os de rosnados característicos de um jovem Matti Kärki – que entrou em 1990 e lá ficou por toda carreira. Como dito anteriormente, a “produção” caseira da época não significa que esteja inaudível, pelo contrário, está ótima, apenas desleixada. Acredito que a restauração e remasterização devam ter feito mágica para soar dessa maneira.

Vale ressaltar que algumas das faixas presentes aqui, especialmente na segunda demo “Last Blasphemies” (1989), em sua forma embrionária, fazem parte do álbum “Dark Recollections” da banda Carnage. Para quem não está familiarizado, é importante destacar a estreita relação entre Carnage e Dismember. Após uma breve separação do Dismember, as duas bandas se uniram, mas em 1990, Mike Amott (guitarra, atualmente no Arch Enemy) integrou-se ao Carcass, levando os demais membros a reformularem o Dismember. A dinâmica é um tanto complexa, como se pode imaginar (risos). O único inconveniente (calma, não é motivo de desespero) é que o trabalho de remasterização e restauração realizado aqui não trouxe resultados tão impressionantes, resultando em uma audição áspera demais que se assemelha ao ruído de uma escavadeira rolando de um penhasco. Mal conseguimos ouvir os vocais!

A melhor parte do CD é a terceira demo, “Reborn In Blasphemy” (1990), pois essas soam como versões alternativas ou de pré-produção do que viria a aparecer no álbum “Like An Everflowing Stream”, de 1991, com um som revigorante, alto e bem na cara. Em relação ao material anterior a essa demo, nota-se que a banda incrementou seu som ríspido com uma áurea com mais melodia e até um toque de Thrash Metal na parte das guitarras, o que caracterizou definitivamente o som brutal e característico do Dismember pelas próximas décadas!

Junto com outras bandas suecas como Entombed e Grave, o Dismember desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do death metal sueco pelo mundo. Esta esperando o quê para ter parte dessa história em suas mãos???

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