Entombed – “Clandestine – Live” (2019)

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Entombed – “Clandestine Live” (2019)
Threeman Recordings | Hellion Records Brazil
#DeathMetal

Para fãs de DismemberEntrailsAt the GatesNihilistGrave

Nota: 10

Falar sobre o Entombed é enaltecer todo um cenário, onde toda uma caracterização muito própria de um subgênero tomou forma, arrebanhando um séquito de apaixonados seguidores e disseminando o real Death Metal sueco como uma praga apocalíptica.

Apesar de haver fases distintas da banda, onde na segunda metade de sua trajetória optaram por uma espécie de Death N’ Roll sujo, é no Death Metal que os caras se encontram e fazem as coisas de fato acontecerem. “Left Hand Path” (90) e “Clandestine” (91) configuram-se como dois dos maiores clássicos que já surgiram sob esta denominação. Álbuns viscerais, selvagens, contrapondo brutalidade e melodia de forma exemplar.

“Clandestine” definitivamente pavimentou a estrada do Entombed para o reconhecimento no estilo, o que de fato seria digno de uma bela homenagem, ainda mais na data que completaria 25 anos. Gravado ao vivo em Malmö em 2016 e contando com ¾ da formação original (Nicke Andersson/bateria, Uffe Cederlund/guitarra e Alex Hellid/guitarra), a banda contou com os préstimos de Robert Andersson nos vocais e Edvin Aftonfalk no baixo para recriar ao vivo toda a magia doentia emanada por este grande episódio da música extrema mundial.

Primeiramente, devo dar os devidos créditos à produção que simplesmente é uma das melhores que já ouvi na vida em termos de álbuns ao vivo. Som cristalino, pesado e homogêneo. Uma verdadeira aula de Death Metal escandinavo. O repertório fora apresentado na íntegra e na sequencia original, sendo assim, não há surpresas para os admiradores da obra. Sem conversa fiada, sem apresentações ou interação com a platéia, após uma breve introdução, o chão treme e o teto cede com “Living Dead”. Deus de misericórdia! Que riffs cortantes, que peso gorduroso e que atmosfera incrível. Arrepia até a alma.

A partir daí, entramos novamente no início dos anos 90 e nos esbaldamos. “Sinners Bleed” e “Evilyn” animam a festa, dando sequência a esta importante e necessária celebração. A banda continua impecável, soberba, sem perder nem um fiapo de sua energia vital ao longo dos anos. O Death Metal flui naturalmente, como sujeitos predestinados a isto. Com requintes de brutalidade “amaciada” com uma densa melodia, “Blessed Be”, “Stranger Aeons” e “Chaos Breed” constituem a tríade perfeita, sobrepondo cadência e intensidade de forma primorosa.

Nem preciso me estender muito mais, afinal, todo mundo sabe como tudo isso acaba, mas depois da dobradinha “Crawl” e “Severe Burns”, concluímos a obra com “Through the Collonades”, uma das mais belas e variadas composições que obedecem a este contexto. E pra enfartarmos fulminantemente, o disco encerra com “Left Hand Path” numa performance no mínimo admirável.

“Clandestine Live” é muito mais que um reles registro ao vivo. É um evento de representação de toda uma era. Um álbum icônico, que deixou sua marca na história da música pesada, sustentando o legado do Entombed para toda a posteridade. Existe uma versão luxuosa deste álbum, que contém um segundo disco com a banda acompanhada de uma orquestra, também tocando o repertório na íntegra. Sinceramente, prefiro as raízes do estilo e toda sua crueza e autenticidade. Sem mais, a lacuna de “álbum ao vivo do ano” já foi preenchida.

Ricardo L. Costa

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