Lizzy Borden – “My Midnight Things” (2018)

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Lizzy Borden
 – “My Midnight Things” (2018)

Metal Blade Records
#HardRock#AdultOrientedRock

Para fãs de: Sixx:A.M.Steve StevensVinnie Vincent Invasion

Nota: 8,0

Lizzy Borden, mais conhecido como o primo pobre de Alice Cooper, foi o líder de uma banda que sempre ostentou mais pose do que peso e que conseguiu alguma atenção nos anos 80 graças aos seus shows teatrais e pela participação de destaque no documentário “The Decline Of The Western Civilization II” – aquele que tem a famigerada cena de Chris Holmes, do WASP, entornando uma garrafa de vodca numa piscina, vestido e enfiado dentro de uma boia e que tão bem sintetizou os excessos e decadência da cena metálica daquela fase.

Após um hiato de 11 anos, Lizzy Borden lança este álbum no qual toca todos os instrumentos de corda, canta e faz backing vocals, com muita habilidade e bom gosto, apresentando um de seus trabalhos mais acessíveis, dando a impressão de que o cantor deveria ter enterrado sua persona de vez na década que se passou e lançado “My Midnight Things” com seu nome de batismo, Gregory Charles Harges, agora um senhor de 58 anos de idade que quer compor músicas que transitam entre o Hard Pop e o AOR.

Portanto, esqueça qualquer lampejo de peso, como ouvimos em alguns momentos de “Menace To Society” – que tenho como o melhor trabalho da banda e que beira um Power Metal mais acessível – e prepare-se para uma sobrecarga de melodias e guitarras amigáveis a ouvintes de estações de rádios populares.

O álbum abre com “My Midnight Things”, com produção contemporânea e que lembra bastante o que vinha fazendo o Sixx AM no ultimo disco – melódico, encorpado e com dobras vocais. Na sequência, qualquer arremedo de peso é deixado de lado e Gregory explora composições e arranjos com forte apelo pop, com destaque para “Long May They Haunt You” – um rock pop bem simples e com andamento e refrão grudentos – e para a música que encerra o disco, “We Belong To The Shadows” – power ballad de alto nível.

As referências aos anos 80 ficam evidenciadas no uso de certas soluções melódicas típicas daquela fase, como em “Obsessed With You”, que lembra aquele hard da banda solo de Vinnie Vincent e também do trabalho solo Steve Stevens (guitarrista do Billy Idol e Vince Neil), chegando a remeter a The Mission em certas passagens. Por sinal, os sinais do tempo foram muito amigáveis com Lizzy, que continua cantando tão bem quanto sempre!

O resultado final me pareceu positivo após algumas audições, com a ressalva do que foi dito parágrafos acima: não é Lizzy Borden dos anos 80, por isso seria mais acertado sepultar a banda em sua semi-glória da era de ouro do Glam e apostar em uma nova roupagem e apresentação. De todo modo, quem sou eu para orientar a carreira de um quase sessentão? Mas fica a dica, enfim.

Wallace Magri

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