
Sacramentum – “Far Away From The Sun” (1996/2020) (Relançamento)
Century Media Records
#BlackMetal, #MelodicBlackMetal
Para fãs de: Dissection, Emperor, Metallica (antigo).
Nota: 9,0
Uma lâmina congelada, cravada nas suas entranhas, em meio a escuridão absoluta de uma floresta escandinava. É essa a sensação. Vinte e quatro anos após o seu primeiro lançamento, a Century Media Records traz “Far Away From The Sun” de volta à “vida”, mas mais cadavérico e obscuro do que nunca. A produção, lançada originalmente em 1996, dispensa muitas apresentações, por ser um marco na história do black metal. E agora tem seu relançamento orquestrado pelo lendário produtor Dan Swanö, com uma tecnologia nada menos que necromântica, trazendo a clareza e a definição que faltavam a uma pérola do estilo.
Naquele momento, em meados da década de 90, o gênero já apresentava os sintomas iniciais de uma saturação precoce, desbravando o cenário musical com elementos que iam totalmente contra o mainstream, mesmo dentro do metal. Foi nesse momento que os suecos do Sacramentum trouxeram ao mundo seu LP de estreia, com novos ares que apontariam novos rumos para o black metal, e que influenciariam o que ainda estava por vir.
O que torna esse álbum um marco para a época é a sua musicalização, e o esmero do trabalho instrumental. O Sacramentum foi uma das bandas pioneiras a trazer fortes influências da música clássica ao black metal, não só em melodias belíssimas, mas também com elementos como contrapontos entre as guitarras e harmonizações inspiradas e emocionais.
Os riffs são tão frios e rasgados que baixam a temperatura de qualquer ambiente, mas com melodias e linhas bem trabalhadas, levando cada canção de clímax a clímax, de forma bastante competente. Os blast beats são de separar a alma do corpo, mas a bateria ainda traz elementos criativos que impedem o álbum de cair no marasmo, e que certamente influenciaram futuros bateristas do estilo. A voz cadavérica de Nisse Karlén se mescla no instrumental reverberado e atmosférico, gerando uma ambiência digna de uma noite de inverno em um fjord nórdico. Ainda assim, confesso que poucas vezes pude escutar esse tipo de vocal ser interpretado com tal emoção e expressividade.
Os pontos altos do disco ficam com “Beyond All Horizons” e “When Night Surrounds Me” que sintetizam bem as adições desse álbum ao cenário do black metal noventista. Não houve um álbum tão impactante para este gênero antes de 1996 e, talvez, nenhum outro vindo após isso tenha portado o mesmo significado, ao trazer oxigênio em um momento tão necessário para o estilo.
Will Menezes (Colaborador)





