Sulphurian – “Preludium: Tempus Fugit” (2020)

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Sulphurian“Preludium: Tempus Fugit” (2020)
Independente
#DeathDoomMetal, #AtmosphericDoomMetal, #GothicDoomMetall

Para fãs de: Clouds, Paradise Lost, Draconian, Moonspell

Nota: 7,5

Talvez eu pertença a uma espécie diferente de crítico musical, mas não me vejo com essa importância toda que muitos pensam ter, talvez me falte ego ou talvez seja justamente a falta dele que me faça diferente dos demais. Prefiro me manter como fã, um fã que gosta de escrever sobre música e que não conhece muitos recursos de escrita, tão pouco termos mais técnicos e rebuscados para dissertar sobre a mesma. Devo ser um tipo de autodidata cheio de empolgação e apaixonado, o dito amador. Sendo franco, prefiro me manter assim, tudo que é muito profissional me soa robótico, calculado e frio, gosto de ter a liberdade de errar, de aprender e talvez, errar novamente. A perfeição sempre me pareceu chata e apática, os anjos caídos bem sabem disso, pois a queda lhes deu possibilidades de diversão, de caos, dor e aprendizado, algo que o céu em todas as suas regras e tédio jamais permitiria.

Quando tenho um disco nas mãos para ser ouvido e avaliado descarto todos os subterfúgios e contratempos, não me importa se a banda é grande ou não, se são profissionais ou não, se possuem uma boa assessoria ou não, se vão agradecer pela resenha ou ignorá-la; em fato isso é o que menos importa. Se me ponho a escrever por amor, tenho que ter em mente que amor não é ter que barganhar atenção e elogios não são moedas de troca — no fim de cada texto o que menos importa é minha assinatura, mas sim, saber que pude ajudar uma banda a divulgar seu material, a ser vista e ouvida.

O Sulphurian é desses casos que me encantam tanto pela honestidade de sua música quanto pela forma como trabalham e produzem, explico; seus dois integrantes moram em cidades diferentes e se comunicam via internet, fazendo dela sua ponte — sim, é possível usar tais recursos para criar e não apenas para alimentar discordâncias e tempestades de futilidade. “Preludium: Tempus Fugit” foi criado e lapidado de forma independente por Gnarr Gjenfødt (vocais guturais) e Ricardo Di Sevo (vozes limpas e guitarras). Os adornos da produção são de responsabilidade de Gabriel Costa Netto, mesmo artesão de um dos melhores registros de 2020, o poderoso e atual “Prophecies Of Plague” do Sacramentia, Renan Bezan vocalista da mesma, foi quem cuidou das artes e demais recursos visuais que a banda utilizou em seus vídeos.

O EP possui pouco mais de trinta e um minutos, mas são minutos preciosos, que embalam uma jornada à memória, à profundidade dos sentimentos e lembranças, uma trilha sonora para a saudade, para tudo que foi sem dizer adeus, para as lágrimas mudas que pronunciam um até logo que não possui esperanças de acontecer. Cada uma de suas faixas entrega um sentimento diferente, mas sempre algo relacionado a ausência, ao não mais pertencer. Ao menos foram essas as percepções que tive. “Cruciabilique Exitu Opus” é uma introdução que serve para guiar-nos para “Tempus Fugit”; faixa carregada de peso, resignação e portadora de uma atmosfera sombria e profunda, sua sucessora, “I Belong Nowhere”, foi lançada como primeiro single e nela temos o momento de maior brilhantismo musical do EP, repleta de contrastes e com ambiências que vão da serenidade à melancolia (sempre ela). O intercalar de vozes reforça seu caráter contemplativo e soturno. “We Are Under The Same Sky” fecha o parágrafo musical como um leve sopro de esperança; guitarras discretas, teclados tecendo véus sonoros de tom cinza e a letra sendo sussurrada calmamente. Toda visão do crepúsculo possui sentimentos dúbios, é como ver o declínio de uma vida, mas, em simultâneo, saber que outra acaba de acontecer.

Longe de ser uma obra-prima e nem é essa sua pretensão, possuindo defeitos entendíveis e até uma certa inocência, mas argumentado na vivência, baseado na verdade dos sentires do mundo — esse gigantesco porto que conta milhares de histórias sobre chegadas e partidas, sobre beijos de adeus e lágrimas cheias da alegria do retorno. E esse tipo de conteúdo me é muito mais válido que uma produção agigantada e plástica, quero essência, alma em estado musical e não apenas embalagem.

Ps: Por favor explorem o Spotify, Bandcamp e demais formas de disseminação musical.

Fábio Miloch

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