Till The Dirt – “Outside The Spiral” (2023)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DeathMetal #ProgressiveDeathMetal
Para fãs de: Death, Atheist, Cynic, Pestilence, Horrendous
Texto por Lucas David
Nota: 8,5
Existem muitos nomes relacionados a evolução da música pesada, principalmente artistas mais excêntricos e destemidos que foram além do convencional, e nesse meio podemos destacar Kelly Shaefer. Conhecido como a mente por trás da lenda do Death Metal da Flórida, Atheist, o músico fez muito para afastar o gênero de algo repetitivo e chato, indo em direções mais técnicas e aventureiras. Álbuns como “Unquestionable Presence” e “Elements” soam inovadores até os dias de hoje, e o retorno do Atheist em 2010 com “Jupiter” apresentou um dos discos mais frenéticos que temos conhecimento. Sendo uma fonte cheia de ideias, Shaefer nos apresenta a sua mais recente empreitada, o Till The Dirt e o álbum “Outside The Spiral”, com lançamento via Nuclear Blast Records.
Uma nova banda com um som que não tem muitas referências a seus trabalhos antigos, o Till The Dirt é o renascimento de uma lenda do movimento e isso dá um peso diferente para o disco, da melhor maneira possível. Entretanto, a banda ainda tem as raízes de brutalidade pelo qual Shaefer é conhecido.
A faixa de abertura “Starring Role” começa em um ritmo frenético, impulsionada por uma levada Thrash, antes de Shaefer introduzir um toque de grunge e um peso extra que, apesar da familiaridade em alguns pontos, serve como uma introdução para um álbum original ao invés do “mais do mesmo”. A faixa-título reforça o ponto: este é um metal selvagem, rebelde e exploratório, baseado em grooves ágeis e bem estruturados, mas distorcido em novas formas, com melodias estranhas e sombrias (e contando com o lendário Steve Digiorgio no baixo).
Em “Bring On The Gods”, música que fecha o disco, somos apresentados a uma blitzkrieg futurística, misturada com momentos de melodia de Classic Metal, mas com um toque de distorção a mais gerado pelos vocais malignos de Shaefer. Outro ponto que vale muito o destaque é o que o som da banda convenceu o lendário produtor Scott Burns (Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel) sair da aposentadoria e trabalhar no disco, com mixagem e masterização feitas por Ryan Vincent na Apollo Alternative.
“Quando Kelly me enviou algumas demos, a princípio relutei em ouvi-las”, revela Scott Burns. “Achei que já tinha ouvido tudo e não queria decepcionar um velho amigo. Quando finalmente dei uma chance às faixas, senti como se tivesse sido atingido por um choque elétrico: essas faixas eram novas, emocionantes e divertidas – como nos velhos tempos. Essas demos me surpreenderam. Eu fui imediatamente fisgado a ponto de realmente querer estar envolvido. Eu realmente pensei que tinha parado de produzir death metal para sempre, mas aqui estamos nós agora!”.
Tudo o que foi mostrado até aqui fará todo sentido para os fãs de longa data do Atheist, mas o Till The Dirt tem uma vantagem de misturar seriamente estranheza e brutalidade, com potencial para estender além dos fies do Death Metal e se conectar com um público maior do que o de costume. “Outside The Spiral” mostra a criatividade e o poder que Shaefer tem, e que sorte a nossa em poder ouvir grandes trabalhos como esse.





