
Wythersake – “Antiquity” (2021)
Scarlet Records
#ProgressiveBlackDeathMetal, #SymphonicBlackMetal, #DeathMetal
Para fãs de: Dimmu Borgir, Hypocrisy, Shade Empire, Antipope, Agathodaimon, Old Man’s Child
Nota: 9,0
Elegância sônica, refinamento estrutural e um atraente amálgama de gêneros e influências, é isso que “Antiquity”, o primeiro álbum do quarteto de Symphonic Death/Black Metal, Wythersake (Washington, D.C.) oferece. Uma coleção de temas meticulosos e complexos, mas digeríveis, regados a belíssimas inserções de teclados, riffs potentes, solos bem trabalhados, bateria técnica e vocais diversificados.
A Wythersake foi formada em 2016, inicialmente pelo guitarrista e vocalista Gabriel Luis e pelo baterista Daniel; e foi, mais tarde completada pelo baixista Cody Bowen e pelo guitarrista James. Sua sonoridade se sedimenta nos gêneros já mencionados, mas recebe acréscimos tanto de Gothic Metal (Paradise Lost, Type O Negative) quanto de algo mais melodioso e requintado. Na linha do Sentenced e suas transições pós “Shadows Of Past” ou mesmo de algo mais atual como o Black Crown Initiate (mas sem ser tão matemático).
“Antiquity” (Scarlet Records) foi produzido pelo próprio Gabriel Luis; sua capa é assinada pelo artista sueco Alvaro Valverde (Unanimated — “Annihilation”, 2018). Aliás, para uma autoprodução, a qualidade é realmente ótima, por vezes fabulosa como revela a épica “Through Ritual We Manifest”. Todos os instrumentos estão nivelados e nítidos, as camadas orquestradas são volumosas e intensas, mas não soterram o trabalho, há um equilíbrio saudável entre o requinte do erudito e o peso e a brutalidade do Metal Extremo.
A pseudo intro “Prediluvian” e o tema título já denunciam e exaltam a qualidade do material; enigmáticas, crescentes, robustas e altamente explosivas. A exuberância sonora torna-se plena a partir da terceira malha “The Advent” e ganha ainda mais força nas extrações seguintes: “From A Serpent Spoken” e “Iniquity”. Os enamorados por Dimmu Borgir (dos bons tempos), Cradle Of Filth ou mesmo pelo italiano Fleshgod Apocalypse (do álbum “Agony”, 2011) hão de gostar desse combo de abertura. Válido destacar a atuação e a versatilidade do vocalista Gabriel Luis e também os solos de guitarra, que embora sejam técnicos, são voltados às composições, seus avanços e acabamentos — um adorno e não um tutorial ou panfletagem (chata) técnica.
A épica “Through Ritual We Manifest” marca-se como o destaque do trabalho. São 09 minutos exatos de aventuras melódicas, quebras de ritmo, mudanças de andamento, corais majestosos e muita intensidade. O baterista Daniel faz-se de vitrine à virtuose nessa faixa, seu trabalho é realmente preciso e louvável. O interlúdio “Lamentations” aponta para o fim do disco, composto pela trindade “Feast Upon The Seraph Within”, “Unto Light” e “My Profane Goddess”. Essa última, sabe-se lá por qual razão não se encontra disponível no Spotify, embora esteja disponível no tópico da banda no YouTube, no Deezer e no Bandcamp da Scarlet Records. Uma pena visto que a mesma é formidável.
Um álbum de estreia muito, mas muito acima da média, inspirado, equilibrado e bem estruturado, sem pontos cegos ou falhas grotescas. “Antiquity” revela suas influências em todos os segundos de música e mesmo assim consegue cativar e impressionar. Nestes tempos de criatividade enlatada e de cópias de cópias de cópias… que no fim já nem sabem a quem ou o que copiam, um verdadeiro oásis. Que venham mais discos (frase clichê, mas honesta)! My best regards.
Fábio Miloch





