Blood God
– “Rock ‘N’ Roll Warmachine” (2017)
Nuclear Blast
#HardRock, #DeathMetal
Para fãs de: Debauchery, Accept, Six Feet Under, Lordi
Nota: 8,0
Aos desavisados, o Blood God nada mais é que um projeto paralelo (e meio que de um homem só) de Thomas Gurrath, o mentor por trás do Debauchery. Só que o som por aqui não tem nada de Death Metal, consistindo no melhor cover de Accept que se tem notícia, tanto no quesito vocal quanto no instrumental, que, apesar da timbragem crua feito Marshall Plexi, emite fumaça de óleo diesel, consistindo numa trilha sonora perfeita para um racha — só não saia fazendo rachas por aí, combinado?
Nessa mistureba que é “Rock ‘N’ Roll Warmachine”, digipak triplo incluindo a obra completa do Blood God até o presente momento — “No Brain But Balls” (2012), “Blood Is My Trademark” (2014) e “Thunderbeast” (2016) —, podemos identificar certo caráter ginasiano nas letras, como se algumas fossem resultado de uma parceria incomum entre Alice Cooper e Bon Scott: temática sangrenta, estilo filme de terror trash sob o ponto de vista de um mulherengo beberrão. Títulos como “Blowjob Barbie” e “Hard Rock Party Bus” saltam aos olhos e permitem associação ao Steel Panther no quesito zoeira. E por que não mencionar que os caras devem curtir um bocado literatura fantástica? Coisas como “Defenders of the Throne of Fire” só podem ser fruto da mente de um leitor de Tolkien. Ou de um ouvinte de Manowar.
Apesar de guardarem diferenças entre si, os três álbuns obedecem a uma mesma máxima: ignorai todas as tendências musicais hodiernas e tocai seu som como fizeram os heróis de antigamente os quais tu cresceste amando. Tido como o clássico do Blood God, “Blood Is My Trademark” está longe de ser a melhor porta de entrada. Faixas muito longas, repletas de passagens que mereciam edição. Nesse aspecto, “Thunderbeast” brande a jereba e, de quebra, temos oportunas amostras do gutural que Gurrath emprega nas músicas do Debauchery. Já “No Brains But Balls” faz jus total ao nome: o que falta em noção sobra em cachorrice. Disco para ouvir com os amigos numa noite regada a bebida barata e acompanhantes acima do peso.
“Rock ‘N’ Roll Warmachine” ainda inclui no pacote umas belas de umas bonus tracks: covers de Judas Priest (“Painkiller” e “Heavy Duty”), AC/DC (“Hail Caesar”) e, veja só você, Accept (“Fast As A Shark”), para que não restem dúvidas acerca do role model escolhido por aqui. É decidir entre Cintra ou Bavária e apertar o play.
Marcelo Vieira





