
Decapitated – “The First Damned” (2021)
Nuclear Blast Records
#DeathMetal, #TechnicalDeathMetal
Para fãs de: Death, Nile, Hate Eternal
Nota: 8,5
No início do século XXI o Decapitated forneceu uma grande dose de ânimo para o Death Metal mundial. Seguindo os passos de bandas como Nile e Hate Eternal, os poloneses tornaram o gênero vital e criativo novamente, tornando-se uma das bandas de maior sucesso no mainstream. Talvez alguns que escutam a banda hoje em dia não conheçam seu passado e como absurdamente talentosos Wacław “Vogg” Kiełtyka (guitarra) e seu irmão mais novo Witold “Vitek” Kiełtyka (bateria), que faleceu por conta de ferimentos causados por um acidente entre o ônibus da banda e um caminhão, foram desde o início.
“The First Damned” compila as duas demos feitas pela banda antes de assinar com a Earache Records (“Cemeteral Gardens” de 1997 e “The Eye of Horus” de 1998) e mostram o começo de sua rápida ascensão. E enquanto o som em exibição é um pouco mais primitivo do que os fãs de longa data estão acostumados, simplesmente não há como negar que o é um trabalho pesado e consciente do início ao fim. Significativamente, Vitek era um garoto de 12 anos que estava trabalhando pesado quando algumas dessas canções foram gravadas. Enquanto isso, a química óbvia e irresistível entre o baterista e seu irmão mais velho (Vogg tinha 15 anos) era uma espinha dorsal musical incontrolável.
Vogg optou por manter o som original, sem usar tantos artifícios de remasterização e remixagem, o que leva a músicas como “Blessed” e “Way to Salvation” terem uma pegada mais áspera e crua do que suas eventuais versões oficiais no álbum. “The Eyes of Horus” também é mais crua, mas é fácil notar que já nessa época a banda executava suas músicas com reforço na técnica, principalmente na bateria que é um show à parte.
“Nine Steps” tem um riff de guitarra frenético e um solo matador, que acompanha a bateria carregada no blast beats, contando também com um ótimo trabalho de Marcin “Martin” Rygiel (baixo). Vale ressaltar também o cover de “Mandatory Suicide” do Slayer, onde o vocalista Wojciech “Sauron” Wąsowicz dá um show de intepretação, não devendo em nada a versão original.
“Cemeteral Gardens” encerra o disco de maneira incrível, com a banda afiada, dessa vez destacando todos os instrumentos. Eles liberaram um vídeo clipe para a faixa contando com imagens dos primeiros anos da banda.
Impossível não destacar como o álbum é “carregado” por um jovem baterista de 12 anos com habilidades percussivas que envergonharam incontáveis músicos três ou quatro vezes sua idade. Este não é apenas o capítulo de abertura na história de uma banda de Death Metal: é uma saudação orgulhosa a um gênio caído e uma celebração do poder atemporal de uma juventude impetuosa e destemida.
Lucas David





