Horna – “Nyx – Hymnejä Yölle” (2024)
Word Terror Committee
#BlackMetal
Para fãs de: Sargeist, Azaghal, Djevel
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Quatro anos após o lançamento de “Kuoleman Kirjo” (2020), o Horna, um dos maiores nomes do Black Metal finlandês, lança sua mais nova obra, “Nyx – Hymnejä Yölle” (tradução: Nyx – Hinos Para a Noite), via World Terror Committee. Nyx, na mitologia grega, é a deusa da noite e filha do Caos. Além do novo disco, vale destacar que a banda tem passagem marcada pelo Brasil no ano que vem, em março, com a M.A.D. Produtora trabalhando nessa vindoura turnê, trazendo o Horna novamente ao país após 13 anos de sua última apresentação em território nacional.
Completando trinta anos em 2024 (comemorados de forma ímpar durante o tradicional festival finlandês de metal extremo, o Steelfest, onde a banda tocou nas três noites do evento, dedicando cada uma a um dos três vocalistas que passaram pelo grupo e executando sets exclusivos de suas respectivas fases), o Horna se consolidou como uma das maiores bandas da cena finlandesa. Ao longo de sua trajetória, a banda atravessou os anos com seu Black Metal característico, majoritariamente cantado no idioma nativo. Liderada pelo único membro original, o guitarrista Shatraug, a banda passou por mudanças significativas em sua formação, especialmente em relação aos vocalistas. Com essas trocas, a sonoridade do Horna se tornou distinta em cada fase, principalmente na atual, com Spellgoth assumindo os vocais desde 2009 e contribuindo para o lançamento de ótimos álbuns, além de inúmeros EPs e splits ao longo dos anos.
Além de Shatraug e Spellgoth, a banda atualmente conta com Infection na guitarra, VnoM no baixo e LRH na bateria.
As faixas do novo álbum são denominadas “hinos”, uma abordagem já utilizada por algumas bandas de Black Metal, como o Batushka, por exemplo. “Hymni I”, com quase nove minutos de duração, é dilacerante, com os vocais urrados de Spellgoth tornando o som mais “entendível” — entre aspas, já que, mais uma vez, o Horna lança um disco cantado em sua língua nativa, o finlandês, como na maior parte de sua discografia. Musicalmente, a faixa mantém-se próxima ao que a banda vem fazendo nos últimos anos, com destaque para a qualidade da gravação. É uma música longa, mas que não se torna cansativa, trazendo boas variações ao longo de sua extensão. Um ótimo começo. “Hymni II” apresenta uma pegada mais cadenciada, com elementos ideais para “bater cabeça”, sem abrir mão da velocidade. Seus riffs furiosos são muito bem construídos, e a segunda metade da faixa traz passagens mais trabalhadas, tornando-a até mais interessante que a primeira.
Em “Hymni III”, a banda entrega uma faixa mais “acessível”, algo comum em álbuns de Black Metal: riffs pesados e constantes com andamento ideal para headbanging, bateria simples e precisa, mantendo a qualidade crescente do álbum. A sonoridade mais polida da gravação, em contraste com o estilo mais ríspido e cru do passado, beneficia muito o som da banda — até os mais puristas vão apreciar. Na sequência, com “Hymni IV”, a banda vem como um rolo compressor, trazendo o Horna clássico em seu estado mais extremo. São quase oito minutos de Black Metal impiedoso e brutal, assim como na última faixa do álbum, “Hymni V”, que soa como uma extensão da anterior. Mesmo sendo a mais curta do disco, não é menos destruidora. O álbum se encerra de forma surpreendente com uma releitura acústica de um de seus maiores clássicos, “Kuoleva Lupaus”, que ficou belíssima. O Black Metal, apesar de todo seu extremismo, costuma surpreender quando as bandas se arriscam em trabalhos acústicos, e aqui não foi diferente. Spellgoth canta com voz limpa, transformando a faixa quase em um cântico, encerrando o disco de forma magistral e merecida.
Sem sombra de dúvidas, “Nyx – Hymnejä Yölle” é, com sobras, um dos melhores trabalhos do Horna. Uma obra excepcional de uma das bandas mais tradicionais, não só do Black Metal finlandês, mas da cena global. Vale a pena ouvir do começo ao fim, especialmente pelo desfecho sublime e pela produção impecável. A ansiedade só aumenta para o aguardado show no Brasil no próximo ano, onde qualquer faixa deste álbum certamente será um espetáculo ao vivo.





