Mork – “Syv” (2024)
Peaceville Records
#BlackMetal
Para fãs de: Taake, Kampfar, Craft
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Diretamente do berço da segunda onda do Black Metal, e lar das bandas mais influentes do estilo mais extremo, a Noruega, a one-man band Mork lançou seu mais novo disco, “Syv” (2024), pouco mais de um ano após o excelente “Dypet” (2023), mais uma vez via Peaceville Records.
Comemorando 20 anos de existência este ano e com seu sétimo álbum de estúdio, o Mork continua pavimentando seu caminho dentro do chamado True Norwegian Black Metal, preservando características tradicionais do estilo, mesmo sendo uma banda relativamente “nova”. Encabeçado pela mente criativa de Thomas Eriksen, que toca todos os instrumentos e compõe tudo em norueguês, ele traduz em sua música uma atmosfera obscura, gélida e misantrópica, o que justifica o destaque crescente que a banda tem recebido ao longo dos anos. A banda já esteve no Brasil em duas ocasiões, em 2022 e 2023, a última sendo uma grande turnê pelo país. Eu estive presente no show em São Paulo, em plena segunda-feira, e valeu muito a pena. Ao vivo, entregam uma performance excelente, fica a dica para uma futura turnê por aqui.
O disco abre com “I Tåkens Virvel”, que, após um início beirando o Thrash/Black, cai na cadência que é uma das características mais interessantes do Mork, priorizando um som mais “levado” do que acelerado. Com pouco mais de sete minutos, a faixa define o tom do que segue ao longo do disco. A música seguinte, “Holmgang”, soa como se o Doom Metal dos anos 90, praticado por bandas como Amorphis, encontrasse o Black Metal no meio do caminho. É uma excelente faixa, com andamento soturno, onde Thomas alterna vocais mais abertos em alguns momentos. Com uma base simples, mas cheia de pegada, a faixa é maravilhosa, sem dúvida uma das melhores que já ouvi da banda. “Heskebål” tem um riff inicial grudento, e a música cresce conforme progride, gerando expectativa durante toda sua execução, tornando-a interessante do começo ao fim.
Em “Utbrent”, a banda volta às raízes do estilo: a música começa ríspida e extrema, intercalada com passagens atmosféricas, cheias de melodias e coros. O fato de ser uma banda centrada em uma única pessoa torna admirável como Thomas consegue expressar sua musicalidade de forma tão peculiar. Ao contrário de outros projetos similares, ele se concentra em entregar um som cheio de nuances, em vez de se apoiar no extremismo contínuo. Há todo um trabalho de composição, resultando em um disco muito digno. “Med Døden Til Følge” mantém o nível, sendo uma faixa cadenciada com um baixo bem marcante, algo não tão característico do estilo, mas que, pela construção da música, justifica ter o instrumento em evidência. “Ondt Blod” lembra um pouco o Immortal, principalmente em sua fase mais elaborada, com poucos trechos de blast beats, e, mesmo sendo a faixa mais curta, com apenas quatro minutos, é certamente um dos maiores destaques. “Tidens Tann” é outra faixa mais soturna, sustentada por melodias mais lentas, dedilhados e trechos mais arrastados. A instrumental “Til Syvende Og Sist”, de quase seis minutos, é muito completa, e, apesar de não acompanhar uma linha vocal, sua construção é excelente e funciona bem no álbum. Ainda assim, algumas frases cantadas poderiam ter tornado a faixa ainda mais impactante.
Por fim, a faixa “Omme”, com voz e violão, conclui o álbum de forma introspectiva. Thomas canta de maneira limpa, como se estivesse encerrando uma jornada. A ausência vocal da faixa anterior faz mais sentido aqui, criando uma transição adequada para esse encerramento reflexivo.
“Syv” brilha na discografia do Mork. Com mais um grande trabalho, Thomas Eriksen demonstra que sua mente criativa está a todo vapor, buscando elevar sua musicalidade a níveis ainda mais altos. É admirável como ele compôs tudo, e o resultado final soa coeso e orgânico. Um dos grandes lançamentos do gênero neste ano, recomendado até para aqueles que não são grandes fãs do estilo, por não ser tão extremo, mas ainda assim inegavelmente Black Metal.





