Reliqa – “Secrets of the Future” (2024)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#AlternativeMetal #ProgressiveMetal #Metalcore
Para fãs de Spiritbox, Halestorm, Deftones
Texto por Will Menezes
Nota: 8,5
Confesso que precisei escutar esse álbum algumas vezes para escrever esta resenha. Assim como os olhos demoram para se acostumar com a luz súbita após saírem da escuridão, precisei de um tempo para processar a mensagem dos australianos do Reliqa em seu álbum de estreia, Secrets of the Future. Foi uma experiência muito positiva, diga-se de passagem, porque essa nota aumentou a cada audição (risos).
O Reliqa se aventura por uma sonoridade bastante original, que é quase uma mistura de elementos do metalcore, groove e prog, em uma roupagem similar aos trabalhos do Spiritbox e até do Sleep Token, mas ainda assim, tentando trazer uma identidade única. Secrets of the Future é um álbum que é mais bem apreciado se ouvido em sua totalidade, pois as músicas são únicas, com mensagens e sonoridades completamente diferentes entre si. No entanto, não há uma heterogeneidade perdida e sem rumo; ao final da experiência, percebe-se que a mensagem é concisa e bem transmitida, e que a banda sabe exatamente para onde está indo e que tipo de musicalidade está construindo e atrelando ao seu nome.
A abertura do álbum (que também foi o primeiro single), “Dying Light”, é um excelente cartão de visitas para conhecer esse complexo mosaico que é o Reliqa. A vocalista Monique Pym abre a canção rimando versos em uma pegada um tanto quanto pop, em algo que parece que vai se tornar algum rapcore genérico. E, em segundos, você é transportado através de terrenos “djentescos”, tempos quebrados, harmonias vocais, um refrão lindamente melódico em dueto com guitarra… E, em seus curtos 3 minutos e 21 segundos, a música te abandona tão subitamente quanto chegou. O que alimenta a vontade de seguir em frente é a mais pura curiosidade.
A partir daí, cada música conta sua história. “Killstar (The Cold World)” carrega a tocha com uma infusão de elementos de um rapcore mais agressivo, mesclado a um progressivo brutal. Outros pontos de destaque vão para as violentas “Physical” e “The Flower” (as influências de elementos do J-pop não parecem ser uma coincidência, já que a banda excursionou com o BabyMetal recentemente). O instrumental é conciso e avassalador, muitas vezes mais rítmico que melódico, assumindo a roupagem do progressivo com maestria. Depois de caminhar um pouco pelo álbum, você não faz mais ideia do que esperar para os próximos segundos nas músicas, o que é intrigantemente agradável. A cozinha é brutal e bem executada pelos irmãos Miles (baixo) e Benjamin Knox (bateria), enquanto Brandon Hutcheson assume muito bem as responsabilidades da guitarra djent/prog, seja em bases pesadas como um buraco negro, seja em trechos com notas mais rápidas do que a mente consegue processar.
O quarteto australiano estreou com coragem, trazendo um álbum com identidade própria e fora do mainstream. A banda explora elementos, traz novas ideias, gruda melodias nas mentes dos ouvintes e ousadamente conquista seu espaço com um metalcore progressivo que, tal como a temática do álbum, desafia o futuro do gênero.





