
Sarcófago – “The Worst” (2018) (Relançamento)
Greyhaze Records
#DeathMetal, #BlackMetal
Para fãs de Sepultura (início), Vulcano, Blasphemy, Possessed
Nota: 7,5
O legado edificado pelo Sarcófago se confunde com a própria história do Metal nacional. O precursor da cena mineira teve um início despretensioso e sempre remou contra a maré, negando-se veementemente a fazer parte do “esquema”. Sua trajetória seria suficiente pra criar uma obra literária, tanto é que o Sarcófago é respeitado e admirado até os dias atuais, servindo de referência para um sem número de formações da cena mundial.
O fato de carregar esse estigma nas costas, além das mudanças de formação e problemas internos – com a banda reduzida a uma dupla -, acarretaram no encerramento das atividades em 2000, ano em que lançaram “Crust”, seu último trabalho contendo músicas inéditas. Sem nenhuma resposta concreta sobre uma reunião, sem qualquer declaração dos ex-integrantes acerca disso, só nos resta usufruir de todo o legado deixado, porém, a gravadora Greyhaze achou por bem prestar uma última homenagem aos nossos guerreiros da escuridão, relançando seu último álbum completo de fato, “The Worst” (originalmente lançado em 96).
Agora, atenhamos aos fatos: o disco em questão nem de longe reflete o melhor momento do grupo (claro, nem poderia com esse nome), contudo, com o intuito de chocar sempre e sem nunca se importar com a opinião de terceiros, o Sarcófago seguiu em frente. Adeptos do minimalismo desde o álbum anterior, o polêmico “Hate” (94), os remanescentes Wagner Antichrist (vocal e guitarra) e Gerald Minelli (baixo e teclado) deram vida a uma boa obra de Metal extremo, mas que não expressa a real essência da banda. Na verdade, “The Worst” já revela certo cansaço de seus protagonistas, e a ausência de um baterista real não confere muita segurança ao material.
A sandice em velocidades estratosféricas presente no álbum antecessor aqui responde apenas por alguns resquícios, sendo que a estrutura básica das composições é direcionada mais ao peso e a cadência, como nas eficientes “The Worst” e “God Bless the Whores”. O lirismo misantropo/satanista é ainda a energia vital dessa máquina, e “Satanic Lust” é a premissa básica disso, com uma bateria eletrônica que não se preocupa em nenhum momento em soar natural e plausível, mas os donos da coisa estão pouco se lixando para a nossa opinião.
A versão remasterizada não promoveu uma grande mudança, mas deixou a sonoridade um pouco mais viva e densa. Como dito anteriormente, “The Worst” é um bom disco, melhor que muito material lançado neste segmento, mas que não representa o real Sarcófago. É como eles próprios proclamam: “Remember my friend. The worst is to come”.
Ricardo L. Costa





